ENCHOVAS - As cobiçadas e preferidas dos pescadores esportivos.
1. Introdução.
Anchova ou enchova (Pomatomus Saltator) é um peixe de escamas e corpo alongado, fusiforme e comprimido. A cabeça é grande e a boca é larga, com a mandÃbula saliente e dentes afiadÃssimos. Sua coloração é azulada no dorso e prateada nos flancos e ventre. Podem chegar a 1m de comprimento e 10kg. É também conhecida como enchova baeta, enchoveta, marisqueira, perna de moça e piquitinga.
É encontrada em todo território brasileiro sendo que a maior incidência se dá do Rio de Janeiro ao Rio grande do Sul.
Tem como sua principal dieta a sardinha, lulas, mariscos e outros peixes. Altamente voraz, chega a atacar inclusive os da mesma espécie.
Os indivÃduos jovens formam grandes cardumes e a medida que crescem tendem a se isolar.
Na época reprodutiva os cardumes migram para alto mar, para fora da plataforma continental onde desovam.
Peixe muito procurado pelos pescadores devido a sua grande esportividade, a enchova é muito voraz e se alimenta de peixes de tamanhos muitas vezes maiores que sua própria boca.
2. Modalidades de captura.
São inúmeras as formas que podemos capturá-las, sendo que as principais são: Baitcasting, Jigging, Corrico, Iscas naturais e Iscas vivas.
2.1. Bait
Consiste em arremessar uma isca artificial e recolhê-la em movimentos e velocidade variados procurando imitar uma presa viva e ferida. É uma das modalidades mais praticadas devido a sua grande eficácia e esportividade.
As iscas artificiais utilizadas podem ser de meia água (Nikita da Aicás, Juana da Borboleta, Maria La Segunda 140, X Rap da Rapala, entre outras), de superfÃcie (Xavantes da Aicás, Big Bob da Borboleta, Dr Spock da KV, X Rap Walk 13 da Rapala, etc.) e de fundo (Gotchas, Jigs e Peninhas).
Quanto ao equipamento uso muito uma vara de 66" a 7 pés de 30lbs de ação rápida e carretilha ou molinete de tamanho médio que caibam pelo menos 100m de linha 0,25mm multifilamento ou 0,40mm monofilamento. Neste quesito recomendo a utilização de molinetes. A incidência de ventos na costeira e o balanço da lancha comprometem e muito o arremesso quando utilizamos a carretilha.
A utilização de um lÃder duplo e torcido ajuda muito quando pescamos na costeira pois não é difÃcil em uma batalha com o peixe, a linha passar por uma pedra cheia de cracas ou pontos de ruptura. esse lÃder aumenta em muito a segurança para esses perigos quanto ao embarque do peixe, quando o mesmo se debate - evita-se acidentes e cortes nas mãos. O lÃder pode ser confeccionado com uma linha 0,40mm de aproximadamente 1m de comprimento. Nas minhas pescarias, costumo deixar uns 10 lÃderes prontos, já com o snap amarrado para ter maior agilidade no preparo quando este se romper ou deteriorar, coisa muito comum nesse tipo de pescaria. Para um melhor acondicionamento eu enrolo os lÃderes prontos num carretel de linha vazio, engatando um ao outro pelo snap.
2.2. Jigging.
É uma modalidade bastante utilizada quando os peixes se encontram mais ao fundo. Consiste numa pescaria onde apenas soltamos uma isca metálica ao fundo e com movimentos de ponta de vara e recolhimento variado trabalhamos a isca verticalmente.
As iscas são confeccionadas em material metálico de peso e formas diversas o que varia seus movimentos quando trabalhados. Entre as marcas mais utilizadas estão a NS, Willianson e Marine Sports. É importante lembrar que os modelos mais longilÃneos e finos são mais leves para pescar devido a sua menor resistência com a água. Já os modelos mais largos apresentam maior resistência com a água.
Os assists hooks devem ser aqueles confeccionados em aço devido a afiadÃssima dentição das enchovas. Para jigs de até 90g, dê preferência a assist com anzóis de tamanho 4/0 a 6/0 e para jigs de 100gr acima, assist com anzóis 9/0 a 11/0. Fique atento para que a medida do arco do anzol não seja o mesmo do corpo do jig pois não é difÃcil o anzol ficar preso no corpo da isca, impossibilitando a fisgada.
O equipamento consiste em vara de 53" a 6 pés de PE 4-6 e molinete ou carretilha de tamanho médio que caibam pelo menos 150m de linha 0,35mm multifilamento ou 0,45mm monofilamento. O lÃder preferencialmente de fluorcarbono de 0,70mm devido a sua maior transparência dentro dágua e comprimento em torno de 2 a 4m.
2.3. Corrico. Consiste em liberar uma isca, natural ou artificial, a uma distância determinada da lancha (20 a 60 m) e sair navegando a uma velocidade que pode variar de 3 a 7 nós. Uma das grandes vantagens desta modalidade é que podemos percorrer uma maior área em um menor espaço de tempo.
Entre as iscas artificiais mais utilizadas nessa modalidade estão as Rapalas Magnum e a X Rap Magnum Divebait 30.
O equipamento utilizado é composto de vara de 56" a 66" pés de 50lbs e carretilha ou molinete que caibam pelo menos 200m de linha 0,35mm multifilamento ou 0,45mm de monofilamento.
O lÃder preferencialmente de fluorcarbono de 0,70mm e 4m de comprimento. Nesta modalidade a enchova costuma atacar as iscas posicionadas a uma distância maior da lancha entre 40m a 60m, então vale sempre deixar uma isca mais próxima e outra mais distante - assim, verificamos onde ela está atacando melhor. 2.3.1. Corrico com Downrigger O Downrigger é um dispositivo utilizado para corricarmos uma isca, artificial ou natural, a uma profundidade pré determinada. Neste dispositivo é preso um peso de chumbo (4 a 5kg) ligado a um cabo de aço inoxidável. O carretel que acondiciona este cabo pode ser acionado tanto manualmente como eletricamente. Neste peso de chumbo ou próximo dele existe um clipe, tbm conhecido como "release" que serve para prender a linha da vara de pesca.
O procedimento para se corricar com o downrigger é primeiramente liberar a isca a uma distância pré determinada da lancha. Prende-se a linha no release e libera-se o peso de chumbo na profundidade a que se pretende corricar. Quando o peixe ataca a isca o release libera a linha automaticamente - aà é só emoção.
É um método muito utilizado quando os peixes estão a uma profundidade maior.
2.4. Iscas naturais. As iscas mais utilizadas nesta modalidade são as sardinhas, lulas, filés de peixes pescados no local da pescaria.
O preparo do chicote consiste em um chumbo fixado na parte inferior e de uma a duas pernadas de anzóis acima. É interessante usar as pernadas dos anzóis com 40 a 60cm de comprimento para deixar a isca mais solta, atraindo mais a enchova. A linha a utilizar na confecção do chicote pode ser de 0,60mm a 0,80mm.
Os anzóis podem ser de tamanho 5/0 a 6/0 sendo obrigatória a utilização de cabo de aço flexÃvel no caso de anzóis comuns devido a afiada dentição das enchovas. Eu particularmente prefiro utilizar anzóis do tipo Circle Hooks (anzóis com a ponta curvada para dentro que fisgam no canto da boca) sem cabo de aço, pois pela experiência adquirida durante estes anos, notei que em alguns dias as enchovas refugam os anzóis com cabo de aço, diminuindo sensivelmente o número de ações.
2.5. Iscas vivas. É a modalidade indiscutivelmente mais produtiva e eficiente. Normalmente capturamos sardinhas, savelhas e outros pequenos peixes com sabikis (chicotes de anzóis com miçangas e peninhas) e acomodamos no viveiro da lancha para mantê-los vivos.
O chicote basicamente consiste em um chumbo na parte inferior e apenas uma pernada do anzol de aproximadamente 1m de comprimento para que a isca movimente mais livremente.
Podemos iscar a presa pela boca ou então pelo dorso para que ela permaneça viva por mais tempo. No rabo não é aconselhável iscarmos por comprometer o nado da presa.
3. Considerações finais. Conhecer bem a região onde se pretende pescar, obter o máximo de informações com o guia de pesca, uma boa sonda, conhecer bem os métodos e técnicas, enfim, são muitos os fatores que influenciam no sucesso da pescaria. Ótimos pescadores antes de tudo, costumam ser excelentes observadores. Pense nisso e ótimas pescarias.
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